A rotura do ligamento cruzado anterior é uma das lesões do joelho mais comuns. A decisão cirúrgica não é automática — depende de si, do seu joelho e do seu estilo de vida.
O ligamento cruzado anterior (LCA) é uma das estruturas mais importantes da estabilidade do joelho. Controla a translação anterior da tíbia em relação ao fémur e resiste à rotação interna — movimentos essenciais em mudanças de direcção, travagens e saltos.
A rotura do LCA ocorre tipicamente em mecanismos de desaceleração súbita, pivotagem ou contacto com outro jogador. O doente frequentemente ouve ou sente um "estalo", seguido de dor aguda e inchaço rápido do joelho.
Cada episódio de instabilidade — a sensação de "falhar" do joelho — pode provocar novas lesões dos meniscos e da cartilagem. Por isso, a decisão terapêutica não deve ser adiada indefinidamente.
A rotura do LCA raramente cicatriza espontaneamente. Sem tratamento adequado, o joelho instável acumula lesões secundárias que agravam o prognóstico a longo prazo.
Decisão Terapêutica
Cirurgia ou Tratamento Conservador?
Esta é a questão central na rotura do LCA. A resposta não é universal — depende de factores individuais que o especialista avaliará em consulta.
✓ Tratamento Conservador
Baixo nível de actividade física (sedentário)
Joelho estável sem episódios de instabilidade
Sem lesões meniscais ou ligamentares associadas
Idade avançada com demandas funcionais baixas
Recusa do risco cirúrgico / anestésico
Fase aguda com AMI grave — pode ser necessário estabilizar primeiro
→ Reconstrução Cirúrgica
Doente activo com instabilidade recorrente
Praticante de desportos com pivotagem (futebol, basquete, ski)
Lesões meniscais ou condrais associadas a tratar
Falha do tratamento conservador
Jovem com elevadas expectativas de retorno ao desporto
Lesão combinada multi-ligamentar
Nota clínica: A investigação actual (revisão sistemática 2024) mostra que o tratamento conservador pode ser adequado para doentes seleccionados — mas o risco de lesões secundárias meniscais e condrais em joelhos instáveis é real e cumulativo. A decisão requer avaliação individualizada.
Técnica Cirúrgica
Tipos de Enxerto para Reconstrução do LCA
A reconstrução do LCA utiliza um enxerto de tendão para substituir o ligamento. A escolha do enxerto é individualizada e influencia o resultado a longo prazo.
Isquiotibiais (Semitendinoso)
Enxerto mais utilizado. Morbilidade de colheita reduzida, boa resistência mecânica. Pode ser associado ao gracilis para maior volume.
Mais utilizado
Tendão Rotuliano (BTB)
Enxerto osso-tendão-osso. Integração óssea mais rápida — favorecido em desportos de elite e reconstruções primárias de alta exigência.
Desporto de elite
⬆
Tendão Quadricipital
Crescentemente utilizado. Grande volume de enxerto, morbilidade aceitável, boa integração. Opção válida sobretudo em doentes mais velhos.
Tendência crescente
Enxerto de Banco (Aloenxerto)
Tecido de dador. Sem morbilidade de colheita — reservado para revisões ou situações específicas com escassez de enxerto autólogo.
Revisões / casos complexos
Protocolo de Excelência
Protocolo SANTI — Tenodese Anterolateral
O protocolo SANTI (desenvolvido pelo Prof. Bertrand Sonnery-Cottet) integra a avaliação e tratamento da inibição artrogénica muscular (AMI) no protocolo cirúrgico do LCA — um diferenciador de resultado que poucos centros aplicam sistematicamente.
01
Avaliação Pré-Operatória da AMI
Classificação da inibição do quadricípite antes da cirurgia. Em casos seleccionados, a cirurgia é adiada até resolução da AMI.
02
Cirurgia + Ligamentoplastia Lateral
Reconstrução do LCA associada, quando indicado, à tenodese extra-articular (técnica de Lemaire ou Anterolateral, refinada por Sonnery-Cottet) para controlo da rotação.
03
Reabilitação Neuromotora Pós-Op
Protocolo de reactivação do quadricípite e tratamento da AMI residual desde o primeiro dia de pós-operatório.
O retorno precoce antes dos 9 meses está associado a maior risco de re-rotura. Os critérios de força e funcionais são mais importantes do que o tempo.
Dia 1
Marcha com canadianas. Activação do quadricípite.
2–4 sem
Marcha sem apoio. Extensão e flexão a 90°.
6 sem
Bicicleta ergométrica. Força progressiva.
3–4 meses
Corrida em linha recta. Propriocepção avançada.
6 meses
Mudanças de direcção. Avaliação de força isocinética.
9–12 meses
Retorno ao desporto de contacto após critérios validados.
Perguntas Frequentes
Dúvidas sobre o LCA
Não necessariamente. A imagem não substitui a avaliação clínica. Doentes com joelhos estáveis e baixa exigência desportiva podem ser tratados de forma conservadora com sucesso. A decisão depende do nível de actividade, da presença de instabilidade e de lesões associadas.
O timing óptimo depende da presença de inibição artrogénica (AMI) e do derrame articular. Operar com AMI grave ou joelho muito inflamado aumenta o risco de artrofibrose. Em muitos casos, é preferível aguardar 3–6 semanas após a lesão aguda para recuperar amplitude articular e activação muscular antes da cirurgia.
Não existe um enxerto universalmente superior. O tendão rotuliano (BTB) tem integração óssea mais rápida e é frequentemente preferido em desporto de elite. Os isquiotibiais têm menor morbilidade de colheita. O tendão quadricipital ganha crescente popularidade. A escolha deve ser individualizada com o seu cirurgião.
Sim — a grande maioria dos doentes regressa ao desporto de nível pré-lesional. O retorno ao futebol de contacto é tipicamente entre os 9 e os 12 meses, condicionado ao cumprimento de critérios de força (>90% simetria quadricípite) e testes funcionais validados. O retorno precoce antes dos 9 meses aumenta significativamente o risco de re-rotura.
A tenodese extra-articular (técnica de Lemaire ou Anterolateral, refinada por Sonnery-Cottet) é um procedimento adicional à reconstrução do LCA para controlar a rotação interna excessiva do joelho. Hoje em dia as suas indicações abrangem muitos casos clínicos — e não apenas alguns doentes seleccionados: reduzem a taxa de re-rotura do LCA e protegem os meniscos reparados, tendo-se tornado uma das principais "redescobertas" da cirurgia do joelho nos últimos anos. Está indicada em doentes com hiperlaxidez, desportos de alta rotação ou história de instabilidade importante. Não é aplicada em todos os casos.
A reabilitação é progressiva ao longo de vários meses: marcha e vida diária nas primeiras semanas; corrida por volta dos 3–4 meses; regresso a desportos de pivô/contacto habitualmente entre os 9 e os 12 meses — condicionado por critérios de força, estabilidade e testes funcionais, não apenas pelo tempo.
Para o dia-a-dia, muitas pessoas conseguem, sobretudo após reforço muscular. O problema surge nos movimentos de rotação ou mudança de direção, em que o joelho pode "falsear" (instabilidade), aumentando o risco de lesões associadas (menisco, cartilagem). Por isso, em pessoas jovens ou ativas, a reconstrução é geralmente recomendada.
Sim. Programas de exercícios neuromusculares — reforço muscular, controlo do valgo dinâmico, pliometria e treino de técnica de aterragem e de mudança de direção — reduzem de forma comprovada o risco de lesão do LCA, em particular em atletas. Estes exercícios são também parte essencial da reabilitação, para prevenir a re-lesão após a reconstrução.
Depende da estabilidade do joelho, não da percentagem descrita na ressonância. Uma rotura parcial com joelho clinicamente estável — Lachman com paragem firme e pivot-shift negativo — pode ser tratada sem cirurgia, com reabilitação dirigida. Se houver instabilidade ou episódios de falseio, o joelho comporta-se como uma rotura completa e a reconstrução está indicada. O relatório da RM orienta, mas quem decide é o exame clínico.
Sim, e há vantagem clara em fazê-lo. Cerca de metade das roturas agudas do LCA tem lesão do menisco associada. A reparação do menisco feita em simultâneo com a reconstrução do ligamento tem melhores taxas de cicatrização — o ambiente biológico criado pela cirurgia do LCA favorece a cicatrização meniscal, e o joelho fica estável, condição sem a qual a sutura do menisco volta a falhar. Adiar a reconstrução aumenta o risco de a lesão meniscal progredir até deixar de ser reparável.
Os testes, não o calendário. O tempo é apenas o mínimo biológico necessário para o enxerto integrar — não é prova de que o joelho está pronto. A decisão assenta em critérios objectivos: défice de força do quadricípite inferior a 10% face ao lado são, hop tests simétricos, controlo neuromuscular no gesto desportivo e prontidão psicológica avaliada pela escala ACL-RSI. Segundo dados de Grindem e colaboradores (Br J Sports Med, 2016 — DOI), até aos 9 meses cada mês adicional antes do regresso reduz o risco de re-lesão em cerca de 51% — e passar nos critérios protege mais do que esperar por uma data no calendário.
Habitualmente entre os 3 e os 4 meses, mas por critérios e não por calendário. Antes de correr, o joelho deve ter extensão completa, ausência de derrame e força do quadricípite acima de 80% do lado contralateral. Correr com défice de quadricípite instala padrões de compensação que atrasam todo o resto da recuperação — é uma das razões mais frequentes para uma reabilitação estagnar aos 5 ou 6 meses.
Se foi operado ao joelho direito, conte com 4 a 6 semanas: é o tempo em que a reacção à travagem de emergência regressa a valores normais. Com o joelho esquerdo operado e caixa automática pode regressar mais cedo, por volta das 2 semanas, desde que consiga entrar e sair do carro sem apoio e sem dor. Nunca conduza sob analgesia opióide. Confirme também as condições da sua apólice de seguro automóvel.
Depende da exigência física do trabalho, não da cirurgia em si. Trabalho sedentário: habitualmente 3 a 4 semanas, e menos se houver possibilidade de teletrabalho. Trabalho que exige estar de pé, deslocações frequentes ou condução: 8 a 12 semanas. Trabalho físico pesado, escadas ou trabalho em altura: 4 a 6 meses. A baixa é emitida no pós-operatório e prolongada em consulta conforme a evolução.
Na maioria dos casos a reconstrução do LCA faz-se em ambulatório ou com uma noite de internamento. A anestesia é habitualmente locorregional — bloqueio do canal dos adutores, preferido ao bloqueio femoral por poupar a força do quadricípite — associada a sedação ou anestesia geral. A dor mais intensa concentra-se nas primeiras 48 a 72 horas e é controlável com medicação oral, gelo e elevação. Sai a andar com canadianas no próprio dia.
É tratável, com reconstrução de revisão. Segundo uma meta-análise publicada no American Journal of Sports Medicine, a taxa global de segunda lesão do LCA após reconstrução ronda os 15% — cerca de 7% no joelho operado e 8% no joelho contralateral — subindo para cerca de 23% em atletas com menos de 25 anos que regressam ao desporto. A revisão exige planeamento próprio: avaliar a posição e o alargamento dos túneis, o alinhamento do membro, o slope tibial e as lesões meniscais e ligamentares associadas. Pode ser feita num só tempo ou em dois, e o reforço anterolateral está indicado na quase totalidade das revisões.
Sim, e em regra não se deve adiar. Esperar pelo fim do crescimento com um joelho instável aumenta significativamente o risco de lesões do menisco e da cartilagem, que são irreversíveis. Existem técnicas de reconstrução que respeitam as fises de crescimento, escolhidas em função da maturidade esquelética e não da idade cronológica. Neste grupo o risco de re-lesão é o mais elevado de todos, pelo que o programa de reabilitação e os critérios de regresso ao desporto têm de ser cumpridos com rigor.
Sim. Se estiver inscrito em lista de espera para cirurgia num hospital do SNS e o tempo de espera ultrapassar 75% do tempo máximo de resposta garantido, é emitido um vale cirurgia (SIGIC) que lhe permite ser operado num hospital convencionado à sua escolha, sem custos para si. Todas as unidades onde opero aceitam vale cirurgia para a reconstrução do LCA.
Hoje em dia, nove meses para os desportos de pivô e de contacto. O enxerto não é um ligamento no dia da cirurgia: passa por um processo de remodelação biológica — a ligamentização — que o converte progressivamente em tecido semelhante ao ligamento nativo, e que aos seis meses ainda está longe de completo. Isto não significa parar até lá: muito antes disso retomam-se o ginásio, a bicicleta estática, a pliometria e actividades como o yoga. O que fica reservado para os nove meses é a rotação e o pivô — submeter um enxerto biologicamente imaturo a cargas de corte e de rotação é o que aumenta o risco. Aos nove meses, cumpridos os critérios de força e de controlo neuromuscular, a margem de segurança é substancialmente maior.
A revisão do LCA dá bons resultados: a grande maioria dos doentes recupera a estabilidade do joelho e regressa à sua actividade. É honesto dizer, ainda assim, que os resultados são em média ligeiramente inferiores aos de uma primeira cirurgia — no registo nacional sueco, com mais de 20.000 doentes, a melhoria foi menor em todas as subescalas do KOOS após revisão, com a maior diferença no domínio do desporto. A taxa de falência situa-se entre 8% e 13%, contra cerca de 4% na cirurgia primária, e em cerca de um quarto dos casos encontra-se uma lesão da cartilagem que não existia na primeira intervenção. Nada disto desaconselha a revisão — significa que vale a pena fazer bem a primeira.
Como doente particular, a reconstrução do LCA começa nos €3.000. Este valor inclui habitualmente a estadia em ambulatório, o material de consumo básico do bloco operatório e o material necessário à realização da ligamentoplastia. Não inclui o material específico para tratar lesões associadas: o tratamento de cada menisco acresce cerca de €500 e o tratamento de lesões da cartilagem cerca de €300 (valores aproximados). O custo final depende ainda do tipo de implantes e do regime de internamento. Com seguro de saúde, a maior parte é comparticipada mediante pré-autorização prévia; e se estiver inscrito em lista de espera do SNS acima do tempo garantido, pode ser operado sem qualquer custo através de vale cirurgia (SIGIC).
NC
Dr. Nuno Camelo Barbosa
Cirurgião Ortopédico · Subespecialista de Joelho Hospital Lusíadas Porto · Hospital Misericórdia Vila do Conde · Paços de Ferreira
LCAExtra-articularEstabilidade ligamentar
Teve uma lesão do LCA?
A decisão entre cirurgia e tratamento conservador requer uma avaliação especializada presencial. Marque a sua consulta no Porto, Paços de Ferreira ou Vila do Conde.
Esta secção é revista periodicamente à luz dos estudos de maior nível de evidência — meta-análises, revisões sistemáticas, ensaios aleatorizados e normas de sociedades científicas.
A tenodese lateral compensa em atletas jovens?
A evidência mais recente aponta nesse sentido. Numa revisão sistemática de 2026 com quase 600 doentes abaixo dos 21 anos, acrescentar um procedimento lateral extra-articular à reconstrução do LCA associou-se a menos re-roturas do enxerto — na ordem dos 0 a 6%, contra 5 a 12% na reconstrução isolada — sem penalizar a função nem o regresso ao desporto. As plastias anterolaterais têm ganho importância crescente na reconstrução do LCA — pesam sobretudo em joelhos hiperlaxos, em desportos de pivô e rotação e em cirurgias de revisão, mas fica em aberto se o seu benefício não se estenderá a um leque mais amplo de doentes. A evidência mais forte é ainda nos mais jovens e os estudos são heterogéneos, pelo que a decisão continua a ser individual.[1]
Que tendão é usado como enxerto — e o peroneal é uma boa alternativa?
Os isquiotibiais continuam a ser o enxerto mais usado, mas nem sempre têm calibre suficiente, e em cirurgias de revisão podem já ter sido gastos. Uma meta-análise de quatro ensaios aleatorizados publicada em 2026 comparou o tendão do peroneal longo com os isquiotibiais em 407 doentes: estabilidade e resultados funcionais equivalentes, enxerto de maior diâmetro e menos queixas na zona de colheita, sem perda mensurável de função do tornozelo. Na prática, existem vários enxertos possíveis — isquiotibiais, tendão rotuliano, quadricípite/recto femoral e peroneal longo — e cada um é sobretudo um meio de atingir um fim: um enxerto forte, bem posicionado e bem integrado. O peroneal é mais uma alternativa credível, sobretudo quando os isquiotibiais são finos ou já foram usados.[2]
Vou ficar com uma zona dormente à volta da cicatriz?
É uma queixa comum e quase sempre benigna: durante a colheita dos isquiotibiais pode ser lesado um pequeno ramo sensitivo do nervo safeno, deixando uma área de pele com menos sensibilidade abaixo e ao lado da cicatriz. Não afecta a força nem o funcionamento do joelho e tende a diminuir com o tempo. A orientação da incisão conta: uma meta-análise de oito ensaios aleatorizados, publicada em 2026, mostrou que a incisão oblíqua reduz cerca de um terço a probabilidade desta perda de sensibilidade e diminui a área afectada, quando comparada com a incisão vertical.[3]
Quanto tempo demora o novo ligamento a ficar mesmo forte?
O enxerto não fica ligamento de um dia para o outro. Passa por um processo chamado ligamentização, em que o tendão transplantado é progressivamente revascularizado e remodelado — e isso mede-se em meses, não em semanas. Um ensaio aleatorizado de 2026 com ressonância seriada mostrou sinais de maturação do enxerto a partir dos 3 meses nas técnicas que preservam a inserção tibial, e por volta dos 6 meses no enxerto livre. É esta biologia, e não o calendário, que explica por que motivo o regresso a desportos de pivô se decide por critérios de força, estabilidade e testes funcionais, tipicamente entre os 9 e os 12 meses.[4]
Referências
Última revisão clínica: agosto de 2026 · Dr. Nuno Camelo
Lateral extra-articular procedures reduce anterior cruciate ligament graft failure in patients younger than 21 years undergoing primary anterior cruciate ligament reconstruction: a systematic review.Revisão sistemática
Kienberger S, Kratochwil L, Gotterbarm T, Deichsel A, Winkler PW. Journal of ISAKOS. 2026.
Nove estudos, 598 doentes com menos de 21 anos. Juntar um procedimento lateral extra-articular à reconstrução do LCA associou-se a menos re-roturas do enxerto (0–6%) do que a reconstrução isolada (5–12%), com regresso ao desporto entre os 9 e os 11 meses. Os autores sublinham que os estudos são heterogéneos e que a conclusão deve ser lida com prudência.
Peroneus longus autograft versus hamstring tendon autograft in primary anterior cruciate ligament reconstruction: a systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials.Meta-análise
Desouza C, Nighot A, Sahu A, Shetty V. European Journal of Orthopaedic Surgery & Traumatology. 2026.
Quatro ensaios aleatorizados, 407 doentes. O enxerto de peroneal longo deu resultados funcionais e estabilidade equivalentes aos isquiotibiais, com menos queixas na zona de colheita e maior diâmetro de enxerto. A função do tornozelo não se deteriorou. É uma alternativa válida, sobretudo quando os isquiotibiais são finos ou já foram usados.
Oblique incision is associated with lower sensory loss compared with vertical incision for hamstring harvest in anterior cruciate ligament reconstruction: a systematic review and meta-analysis.Meta-análise
Yuwarungsikul C, Veerathumjumras P, Thamrongskulsiri N, et al. Journal of ISAKOS. 2026.
Oito ensaios aleatorizados, 626 doentes. A incisão oblíqua para colher os isquiotibiais reduziu em cerca de um terço a probabilidade de perda de sensibilidade à volta da cicatriz, e reduziu também a área afectada, sem diferença nos resultados funcionais. A certeza da evidência é baixa por heterogeneidade entre estudos.
ACL reconstruction with attachment-sparing hamstring autograft results in earlier graft maturation and better short-term clinical outcome in comparison to free graft: a randomized controlled trial.Ensaio clínico aleatorizado
Sinha S, Arumugham KC, Singh DK, et al. The American Journal of Sports Medicine. 2026.
Ensaio aleatorizado com ressonância seriada aos 3, 6 e 9 meses. Preservar a inserção tibial do enxerto acelerou a maturação: sinal de enxerto maduro já aos 3 meses, contra 6 meses no enxerto livre. Confirma que a ligamentização é um processo de muitos meses — e é por isso que o regresso ao desporto não se decide pelo calendário.
Estas referências são material de apoio e não substituem uma avaliação clínica. A aplicação de qualquer destes resultados ao seu caso depende do exame do seu joelho.