Existem infiltrações que apenas controlam os sintomas — e infiltrações comercialmente designadas de "regenerativas", que tentam modificar a biologia do joelho. Compreender esta distinção, e os seus limites reais, é essencial para tomar uma decisão informada.
Apesar dos esforços da investigação científica e do entusiasmo comercial em torno das chamadas infiltrações "regenerativas", não existe actualmente evidência robusta de que qualquer tipo de infiltração — PRP, ácido hialurónico ou qualquer outra — seja capaz de regenerar a cartilagem articular do joelho. O que estas substâncias podem fazer é modificar o ambiente biológico da articulação, reduzir a inflamação de forma mais sustentada e, em alguns casos, abrandar a progressão da doença — mas não reconstituir cartilagem destruída. O uso das aspas em "regenerativa" ao longo desta página é intencional e reflecte este posicionamento clínico.
Quando falamos de "infiltração ao joelho", estamos na realidade a falar de dois grupos com mecanismos de acção, objectivos clínicos e perfis de risco diferentes. Um trata o sintoma directamente. O outro tenta influenciar a biologia articular — razão pela qual é chamado "regenerativo", embora este termo não deva ser interpretado como sinónimo de reconstrução de cartilagem.
Estas infiltrações utilizam substâncias com um papel activo no microambiente articular — reduzindo a inflamação de forma mais sustentada, melhorando a lubrificação ou modulando o metabolismo sinovial. O termo "regenerativa" é amplamente usado na literatura e na prática clínica, mas deve ser entendido com rigor: nenhuma destas substâncias demonstrou, em ensaios clínicos controlados, capacidade de reconstituir cartilagem articular macroscopicamente perdida.
Uma pequena amostra do sangue do doente é centrifugada para concentrar as plaquetas. Esta preparação — rica em factores de crescimento (PDGF, TGF-β, VEGF) — é injectada na articulação, criando um ambiente anti-inflamatório e pró-anabólico que pode reduzir a sinovite crónica e influenciar o metabolismo da cartilagem. Não existe evidência de reconstituição de cartilagem perdida.
O ácido hialurónico (AH) é um componente natural do líquido sinovial. Na osteoartrose, a sua concentração e viscosidade diminuem. A injecção de AH exógeno restaura as propriedades viscoelásticas do líquido articular, reduzindo o atrito e melhorando a amortização. Exerce também um efeito anti-inflamatório indirecto via receptores CD44. Não regenera cartilagem, mas pode retardar a sua degradação em alguns contextos.
Os corticosteroides são a infiltração mais prescrita no mundo. São muito eficazes no curto prazo, mas o seu uso repetido levanta questões clínicas importantes que o seu médico deve ponderar consigo.
Os corticosteroides intra-articulares suprimem a cascata inflamatória via receptores de glucocorticoides nas células sinoviais — inibindo prostaglandinas, citocinas pró-inflamatórias (IL-1β, TNF-α) e mediadores da dor. O resultado é uma redução rápida e potente da sinovite e do derrame articular.
| Parâmetro | Corticosteroide | Ácido Hialurónico | PRP |
|---|---|---|---|
| Tipo | Não-regenerativa | "Regenerativa" | "Regenerativa" |
| Início de efeito | 24–72 horas | 4–8 semanas | 4–12 semanas |
| Duração do efeito | 4–8 semanas | 6–12 meses | 6–12+ meses |
| Efeito na cartilagem | Potencialmente negativo | Neutro / protector | Sem regeneração; pode abrandar degradação |
| N.º de injecções | 1 | 1–5 (conforme produto) | 1–3 (protocolo) |
| Uso repetido | Limitado (<4/ano) | Seguro | Seguro |
| Melhor indicação | Crise aguda, sinovite | Gonartrose crónica leve-moderada | Gonartrose + lesão activa |
| Uso pré-cirúrgico | Evitar nos 3 meses antes | Sem contraindicação | Pode acelerar recuperação |
As infiltrações têm um papel comprovado no alívio dos sintomas — mas a investigação é clara num ponto essencial: aliviam temporariamente e melhoram a função; não curam a artrose nem reconstroem cartilagem. São ferramentas para ganhar tempo e qualidade de vida, não uma solução definitiva.
Um ensaio clínico aleatorizado de 2 anos (JAMA, McAlindon et al., 2017) mostrou que infiltrações de corticosteroide de 3 em 3 meses não melhoraram a dor face a soro fisiológico e se associaram a maior perda de cartilagem. Por isso reservamos o corticosteroide para crises inflamatórias (sinovite) e limitamos a sua repetição.
Uma meta-análise de ensaios aleatorizados de nível 1 (Am J Sports Med, Bensa et al., 2025) concluiu que o PRP dá melhoria clinicamente relevante da dor e da função até 6–12 meses, e que a concentração de plaquetas influencia o resultado. Outra meta-análise (Am J Sports Med, Belk et al., 2020) mostrou o PRP superior ao ácido hialurónico no controlo dos sintomas. É aqui que importa ser honesto sobre o termo "regenerativo": o PRP pode influenciar a biologia da articulação — modular a inflamação e o ambiente — mas não faz nascer cartilagem nova. O efeito é sintomático e biológico, não uma reconstrução estrutural.
Funciona sobretudo como lubrificante e amortecedor em artrose ligeira a moderada. O benefício sintomático é geralmente ligeiro e variável entre estudos e produtos.
Permanecem experimentais, sem evidência robusta que sustente o uso rotineiro. Devem ser encaradas com prudência e sem promessas de "cura".
Conclusão: nenhuma infiltração é uma solução definitiva. A escolha certa — corticosteroide, ácido hialurónico ou PRP — depende do seu caso, do grau de artrose e dos seus objetivos. As referências dos estudos citados encontram-se no fim desta página.
Cada situação clínica é diferente. Estes cenários ilustram o raciocínio, mas a decisão final é sempre feita após avaliação.
Todas as infiltrações são realizadas em contexto de consulta. O procedimento é rápido, bem tolerado e não requer internamento.
A selecção correcta depende do diagnóstico, do grau de artrose, da história clínica e dos seus objectivos. Agende uma consulta para uma avaliação individualizada.
Guidelines de sociedades científicas e revisões que sustentam esta informação.
Esta secção é revista periodicamente à luz dos estudos de maior nível de evidência — meta-análises, revisões sistemáticas, ensaios aleatorizados e normas de sociedades científicas.
Estas referências são material de apoio e não substituem uma avaliação clínica. A aplicação de qualquer destes resultados ao seu caso depende do exame do seu joelho.